Ainda chove por aqui. Antes era mais na madrugada. Águas que vinha e nos levavam pra terra dos sonhos. Quase sempre sonhos de esperança. Agora desce águas a qualquer tempo. Em qualquer lugar, elas não se importam. Elas chegam como donas de uma casa que não convidadas à entrar. Se apossam e sem perguntar, tomam a rotina em suas mãos. Chove muito por aqui. Sempre águas transbordam por todos os cantos onde alguém deveria estar. Como se procurassem alguém pra molhar, águas correm por todo ambiente. E não pára de chover.
Às vezes dá uma estiada, pra secar as roupas que participaram da chuva. Não chega a aparecer o sol, apenas águas não descem. Um intervalo que, quando volta, melhor seria não terem parado. Volta mais tempestade que antes. Águas mais fortes, enxurradas que trazem que fora deixado lá atrás. E não levam esses entulhos. Águas deixam tudo por aqui, pra ter que ser tirados à mão, mesmo. Enquanto lutam contra a força da tempestade e tentam se secar.
São águas que nunca param de rolar. As vezes se guardam pra apreciar o sol que, de vez em quando aparecem. Mas de teimosia, insistem em não irem embora. Ficam rondando a área, a espera do momento que cairão. E que são desprezadas pelos que estão embaixo do sol enquanto estão. Ficam lá, no mesmo lugar de sempre, quietinhas, esperando a sua hora. Que sempre chega.
Se pelo menos pudesse soprar essas nuvens pra longe. Ou se pudesse construir um teto capaz de impedir essas águas. Quem sabe, pelo menos negociar uma quantidade máxima por vez. Assim poderia prever o tempo que nuvens durariam a derramar chuvas que caem dos olhos.
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