Como assim? Será mesmo que deu tanto na cara, daquele jeito? Eu não acredito que, depois de tanto tempo, eu ainda não consiga esconder que ainda gosto dela. Poxa, então eu passei por tudo, sorri e chorei, mil coisas aconteceram, um milhão não aconteceram. E eu ainda não consigo esconder que gosto dela. Assim não pode, assim não dá. Tá, tudo bem pra mim, que eu leve aquele sentimento por onde que que eu vá. Nem ligo, pois um dia, aos vinte anos, me disseram que aquilo passaria, como tudo na vida. E hoje, especialmente hoje, enquanto tomo café da tarde, mostro pra todos eles que o amor não acaba. A gente apenas o guarda, a cada dia que passa em lugares mais e mais secretos. Que chega ao ponto de ficar escondido de nós mesmos.
Mas, definitivamente, não dá pra esconder Porque amor guardado sabe crescer. Sabe viver dez anos, esperando pela hora certa. Sabe esperar o milagre do impossível. E, principalmente, sabe conviver com isso sem murmurar. Amor sabe quando é hora de abraçar e quando é hora de afastar. Sabe quando é preciso construir uma vida inteira, pra criar a condição exata pra ele acontecer. Amor sabe acreditar em notícia de jornal que conta amor que espera 80 anos. Amor que é amor sabe que amor não conta o tempo. Mas vive ao lado dele, como aliados.
Isso é dito, não pra eu dizer que estou apaixonado e que um novo amor nasceu. E que agora vai ser tudo diferente nem blá, blá, blá. Digo isso pra mostrar (talvez ate pra mim mesmo) que não parecia que ele estava tão à flor da pele, assim. Eu pensava que ele estivesse em paz, dentro de mim, me trazendo paz. Mas não, esse amor não está no lugar que eu tentei colocar. Ele ainda está na caixa de coisas que eu não posso fazer sozinho. E ficou bem na borda, perto da gaveta dos desejos.
Pelo menos, e é isso que me inspira escrever sobre esse amor, é que hoje ele me fez feliz. Depois de sete anos tentando esquecê-lo, hoje eu quis lembrar dele. Com todo carinho, amizade, paixão, fogo e intensidade que é dele. E com todas as gargalhadas que lembro dela. Com todos os detalhes que resistem ao tempo. Com os caminhos pra nos encontrarmos. Caminhos que ainda existem, da mesma forma, talvez esperando que a gente passe por eles, outra vez.
E agora, tentando achar um final para esse texto, continuando a me lembrar de tudo o que sobrou de lembrança, agradeço. Sim, porque não? Obrigado minha primeira namorada. Por não ser apenas a primeira, mas por ser a minha única namorada que consegue resistir ao tempo. Obrigado por ter me feito tão feliz. Hoje.
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