Como se sente que realiza parte do que queria? Como vive quem tem tudo pela metade, se contentando com os primeiros passos? Imagino que seja como um copo, sempre com espaço pra mais. Mas sempre aceitando o que há. É estranho pra mim, não ir até fim, não descobrir o que há no desfecho. Viver imaginando o que poderia ter sido, sem ir em busca do final feliz, não faz sentido. É como não falar na hora da briga, como deixar "entalado" tudo o que tínhamos à dizer. É como deixar o almoço pela metade e ir embora.
É como ter algo apresentado e apenas olhar uma vez, pra ficar pensando: "eu vi". As coisas são mais que isso, o que é bom e faz bem são pra serem vividas. Isso é viver, vir e ver, viver. Não pra ficar de longe, observando alegria dos outros. Mas pra fazer parte de todas as alegrias, ser feliz com alguém e principalmente, fazer alguém feliz. Ser lembrado, colocar o nome na lista, ser chamado para a próxima vez. Viver não pode ser pela metade. Usar parte do que recebeu, guardar o resto. Na minha casa chamamos isso de desfeita. Ganhar um presente e não usar é demonstrativo de não gostar.
Sobre isso, não é preciso falar muito. não tem detalhes de como viver pela metade ou como viver tudo. É apenas fazer. O que vier a tua mão para fazer, faça. Em cada manhã, em cada ligação, a cada encontro, cada olhar, sabendo que pode ser o último, que é preciso aproveitar ao máximo. Pra mim, isso é viver, encarar tudo como se não restasse mais nenhuma chance de se fazer de novo. Pra mim, viver é fazer direito. E ser feliz.
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