Um dia cantei essa música pra uma menina. Naquele dia a noite foi, nem lembro como terminou. Lembro que terminou mais uma vez naquela noite. E como eu ainda era muito adolescente, não entendi porque ela ficou tão furiosa. Pra mim era uma canção tão inocente. Pelo menos pra nós não tinha sentido. Eu tinha 19 e não vinte e nove. Era uma época em que todos apenas ganhávamos amigos. Posso dizer que era tudo tão ao contrário, que eu realmente não conseguia entender. Mas briguei e deixei brigar assim mesmo, já que fazia parte, dia a dia.
Hoje, as portas dos vinte e nove, eu vejo tantas coisas daquele tempo. Até parece que minha vida seguiu a canção. Ou será que a canção foi direcionada pra mim? Ou será que não entendo nada, pois não sei como funciona a coincidência? Pode ser um milhão de possibilidades. Mas o fato é que ela brigou, me xingou e o tempo passou. E com o tempo se foram as amizades, mas também deixei a pedra. Me embriaguei tantas vezes por ela. Morri muito mais que vinte e nove vezes sem ela, e não aprendi a viver sem. Mesmo assim, ela não me quis, mas...
Então, depois da separação que não aconteceu no "não", fui viver. Viver em navios da vida, procurando por coisas que não eram minhas. Correndo por ai, atrás de nada que me levasse a lugar nenhum. Perdido entre todos. Exatamente como conta a música, aconteceu. Sem eu desejar nem conseguir evitar. Sem o meu querer nem a minha autorização. Sem tirar, com muito pra colocar, aconteceu.
Mas é engraçado, como o tempo cicatriza tudo. Quem diria que um dia eu escrevia dela assim e com tanto carinho de amigo? Nem mesmo eu, talvez nem ela poderia sonhar isso. Deve ser porque depois de tantos vinte e nove perdidos, aos quase vinte e nove eu tenha me encontrado. Como se eu estivesse, hoje, vendo o ponto onde paramos. E pudesse sentir tudo o que eu deveria ter sentido. Ai não precisaria esperar tanto pra ter anjos me saudando e amigos. E quem sabe, ela seria uma dos vinte e novos amigos, outra vez?
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